“Homofobia se aprende, sexualidade não.”

Esses dias vi uma discussão no facebook sobre uma foto de dois garotinhos (do mesmo sexo) que se beijavam. Alguém que gostaria de iniciar uma discussão sobre a homofobia a teria postado. Essa mesma foto seria usada pelo MEC em uma campanha com o mesmo proposito.
Ontem um colega, sim: homessexual, postou um texto em resposta a possibilidade da criação do dia do “orgulho hetero”, que segundo Kassab não incentivaria a homofobia. E hoje, um pouco atrasada, fiquei sabendo da agressão contra pai e filho corrida por terem sido considerados um casal homo-afetivo.
Sou contra qualquer tipo de violência e discriminação e não posso deixar de achar absurdo pessoas serem consideradas inferiores seja pela cor da pele, gênero, nacionalidade, orientação sexual etc. Acredito que possamos ter os nossos julgamentos e até, no limite, não aceitar certas diferenças no âmbito pessoal ou afetivo, mas apesar disso devemos respeitar a todos indiferentemente de nossas opiniões preconceituosas.
E além do mais, devemos também refletir sobre os motivos que nos faz discriminar o “diferente”. Preconceitos em sua maioria advêm ou da incompreensão ou da herança de uma sociedade injusta.
Não posso negar que ao ver a foto dos dois garotinhos tive um sentimento de estranheza como primeiro impacto. Mas em seguida procurei entender a minha reação para poder me posicionar sobre ela.
Ao ler os comentários acreditei por um instante que essa estranheza se devesse, como muitos alegaram, a utilização de crianças com uma conotação sexual. Mas logo em seguida me lembrei de tantos comerciais e cenas de crianças de sexo oposto em demostrações afetivas. Então, logo em seguida, busquei imagens para confirmar o que suspeitava: as observei com muito mais naturalidade.
Somos expostos a demostração de carinho entre meninos e meninas desde sempre, então, achamos isso natural.
Nunca me considerei homofóbica, convivo naturalmente com relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, e mesmo assim a exposição dessa afetividade entre crianças me causou certa estranheza (infelizmente não consigo encontrar palavra melhor). Dessa forma, posso compreender que as pessoas tenham uma certa resistência a se adaptar e aceitar o que fora considerado “errado” ou até mesmo doença por tanto tempo.
Para todos que são estigmatizados exige-se sempre muita batalha na conquista de seus espaços e direitos. Assim como foi e ainda é para as mulheres desconsideradas como cidadãos na Grécia antiga e para os negros considerados inferiores por tantos séculos e que ainda sofrem muitos preconceitos.
No entanto, apesar de qualquer sentimento contraditorio ou necessidade de adaptação para aceitar o “diferente” ainda não consigo compreender os motivos que levam pessoas a cometerem atos tão bárbaros como no caso da agressão contra pai e filho.
Não consigo compreender que em um pais com tantos problemas sociais ainda precisemos ouvir discussões absurdas como a criação do dia do “orgulho hetero” ao invés de discussões para erradicar a pobreza, o analfabetismo, a violência. Que exista pessoas que acreditam que amar pessoas do mesmo sexo é um problema para sociedade, mas que tantas situações de desrespeito com a população são aceitas cotidianamente.
Presenciar atos de afetividade choca, mas atos de violência tem se tornado cada vez mais comuns e banalizados. Infelizmente!

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Renata
    ago 05, 2011 @ 22:00:16

    lastimável, prima, lastimável!

    Responder

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