“Que pais é este?”

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Começo este post com essa pergunta porque sempre que penso em meu pais essa frase pulula em minha mente: Que pais é este? Sempre adorei a Legião Urbana e, principalmente, o Renato Russo. Era, mesmo sendo difícil de assumir, fã a ponto de chorar por motivo de sua morte. Se servir como desculpas: tinha apenas 14 anos.
Muitos anos depois de conhecer essa musica, sendo capaz de entendê-la melhor a escultei cantada por Hebert Viana em um show. Ao final ele comentou que “essa musica não envelhece nunca”. E nunca me esqueci dessa frase e estou esperando ha cinco anos que ela envelheça.

Mas não, ela é ainda mais real porque hoje as pessoas voltaram acreditar e com muito mais força de que o Brasil é mesmo o pais do futuro, afinal ele faz parte do BRICS. E não são apenas os brasileiros que acreditam nessa frase otimista. E so caminhar pelo mundo para perceber que cada vez menos as pessoas pensam que falamos espanhol, que moramos na floresta e que só existe mulheres lindas e seminuas pelas ruas. As pessoas sabem que o Brasil esta se desenvolvendo e acreditam que a vida por la esta muito melhor.
Eu nunca fui muito patriota e sempre fui bastante pessimista. Mas agora que estou exilada em terras distantes começo a ser pouco patriota, mas ainda mais pessimista com relação ao Brasil. E claro que existe toda uma onda de otimismo e que de certa forma ocorreu algumas melhoras no Brasil, mas ainda ha “sujeira pra todo lado”.
Comecei a ler o libro de Ribeiro Jr, A privataria Tucana e afirmo que esse livro tem uma capacidade nauseante que supera Dostoiévski. E um mal estar em saber que somos roubados diariamente enquanto o nosso povo ainda vive em situações de miséria. Tanto dinheiro sujo enviado para paraísos fiscais.
Nao consigo entender porque um cidadão comum como eu, deve pagar impostos exorbitantes para apenas enviar alguns presentes de Natal para minha família e que políticos e empresários corruptos possam fazer tantas transações ilegais sem que sejam pegos.
Por outro lado, essa semana a nota da França foi degradada, deixando de ser um pais considerado pela agencia Standar&Poor’s AAA para apenas AA. Aqui o discurso é bem diferente, os franceses, conhecidos por ser o povo que mais reclama, dizem que o pais esta em crise, que as coisas estão muito difíceis. Alguns pensam em migrar para a Alemanha.
E eu fico no meio desse fogo cruzado, entre o pessimismo francês e o otimismo brasileiro e simplesmente não sei exatamente o que pensar.
Não sou uma pessoa muito politizada, nem intelectual: leio bastante, gosto de literatura, gosto de pensar sobre o mundo e sobre a vida, mas não tenho embasamento suficiente para saber o que se passa pelo mundo, mas comparando os dois países ainda não consigo ver motivos pra tanto pessimismo do lado de cá do oceano e pra tanto otimismo do lado de la.

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Homesick

Para uns sonho significa o que se almeja alcançar: uma casa na praia, um carro novo, uma viagem a Paris. Ja para outros, sonho é algo mais palpável: o almoço do dia anterior, as ferias do ano passado, a vida que esta tendo ao lado de quem ama. Mas para todos também é algo que vem nos visitar durante a noite ou dia quando estamos, ao mesmo tempo, distantes e próximos da realidade.

Alguns acreditam que podemos interpretar os sonhos, Freud mesmo tem uma longa literatura sobre isso, outros acham que ha muito de premonição. Seja la o que o sonho significa, para mim atualmente é onde me vejo próxima de pessoas tao queridas que estão distantes.

Ja tive encontros com minhas irmas, amigas… essa semana passei horas conversando com a Denise. Ja participei de festas de família. Fui visitar a Fernanda na Austrália.

E ontem, durante a noite, banhado por um Sol tao reluzente eu e minha mãe visitávamos um museu onde havia uma exposição de fotos da minha infância. Enquanto minha mãe ia recuperando as fotos não compreendendo como elas haviam parado ali sem sua autorização, eu as ia observando.
Me encantei com uma delas, meio narcisista, achei aquela Daniela ao lado da irma tao bonitinha que fui chegando mais perto para observar a foto. E ao me aproximar a foto se transformou. Ja não era mais eu e a Juliana em nossa infância, era a Ana Paula e o Gabriel ainda bebes.
O incrível e que o Gabriel, que estava em um rio translucido, ganhava vida e afundava no fundo do rio e em seguida emergia novamente. Ao sair da água sorria para mim com um sorriso tao puro e inocente.

Eu não sei o que Freud diria, mas o que eu digo é que os sonhos me transportam para outra realidade, me fazem acordar no meu antigo quarto na casa dos meus pais, sentindo a presença da minha irma na cama ao lado. Sonhos que me deixam em estado paradoxal: feliz por ter de quem sentir saudade, e triste por senti-la.

Um dia alguém me disse que ao deixarmos nossa realidade em busca de sonhos nunca mais nos sentimos completos em lugar algum, sempre vai nos faltar algo. Talvez seja, então, essa a significação de meus sonhos: a tentativa de unir duas realidades eliminando esse espaço vazio, digo, esse espaço cheio de saudades dentro do meu coração.

Post escrito em dezembro 2011.