Homesick

Para uns sonho significa o que se almeja alcançar: uma casa na praia, um carro novo, uma viagem a Paris. Ja para outros, sonho é algo mais palpável: o almoço do dia anterior, as ferias do ano passado, a vida que esta tendo ao lado de quem ama. Mas para todos também é algo que vem nos visitar durante a noite ou dia quando estamos, ao mesmo tempo, distantes e próximos da realidade.

Alguns acreditam que podemos interpretar os sonhos, Freud mesmo tem uma longa literatura sobre isso, outros acham que ha muito de premonição. Seja la o que o sonho significa, para mim atualmente é onde me vejo próxima de pessoas tao queridas que estão distantes.

Ja tive encontros com minhas irmas, amigas… essa semana passei horas conversando com a Denise. Ja participei de festas de família. Fui visitar a Fernanda na Austrália.

E ontem, durante a noite, banhado por um Sol tao reluzente eu e minha mãe visitávamos um museu onde havia uma exposição de fotos da minha infância. Enquanto minha mãe ia recuperando as fotos não compreendendo como elas haviam parado ali sem sua autorização, eu as ia observando.
Me encantei com uma delas, meio narcisista, achei aquela Daniela ao lado da irma tao bonitinha que fui chegando mais perto para observar a foto. E ao me aproximar a foto se transformou. Ja não era mais eu e a Juliana em nossa infância, era a Ana Paula e o Gabriel ainda bebes.
O incrível e que o Gabriel, que estava em um rio translucido, ganhava vida e afundava no fundo do rio e em seguida emergia novamente. Ao sair da água sorria para mim com um sorriso tao puro e inocente.

Eu não sei o que Freud diria, mas o que eu digo é que os sonhos me transportam para outra realidade, me fazem acordar no meu antigo quarto na casa dos meus pais, sentindo a presença da minha irma na cama ao lado. Sonhos que me deixam em estado paradoxal: feliz por ter de quem sentir saudade, e triste por senti-la.

Um dia alguém me disse que ao deixarmos nossa realidade em busca de sonhos nunca mais nos sentimos completos em lugar algum, sempre vai nos faltar algo. Talvez seja, então, essa a significação de meus sonhos: a tentativa de unir duas realidades eliminando esse espaço vazio, digo, esse espaço cheio de saudades dentro do meu coração.

Post escrito em dezembro 2011.

Anúncios

Mamãe e papai, obrigada!

Todos sabem que tenho vivido em um momento de ócio: encontro-me “exilada” em terras estranhas.

Na tentativa de torná-lo mais produtivo, tenho buscado atividades que nunca tivera tempo ou oportunidade de fazê-las. Uma delas é passar horas em frente ao computador procurando palestras, livros (algo que sempre odiei: ler através dessa máquina), filmes, músicas etc. Essa experiência tem sido muito prazerosa e enriquecedora: passo horas dos meus dias com psicólogos, filósofos, professores.

Alguns dias atrás assisti uma palestra de um ex-professor da faculdade: Julio Groppa, na qual ele discursa sobre a situação da família contemporânea. Evidentemente, não pude deixar de achar geniais suas provocações. Fiquei extasiada com sua fala como nos tempos da minha licenciatura.

Tantas reflexões e provocações embriagadoras. No entanto, foi quando disse que não teve tempo de agradecer a seus pais pelo o que lhe representaram em vida foi quando sua palestra me tocou particularmente, já que estou a quilômetros de distância dos meus. Deixando bem claro que seus pais não eram perfeitos, gostaria de agradecer, simplesmente, pelo o que eles puderam fazer.

Também não tenho pais perfeitos, também estou longe de ser perfeita. Mas o que sou hoje depende muito da forma como me criaram acertando ou errando. Se vier a ter filhos também vou cometer erros e acertos, mas gostaria muito de ser capaz de colocar meus filhos a frente de mim como muitas vezes fizeram por mim.

Não preciso esperar que eles não estejam mais aqui para refletir sobre o que representam na minha vida e nem para agradecer o que fizeram. Se não fizeram mais, talvez seja porque fizeram o máximo que puderam. E eu os agradeço com todo o amor que me ensinaram a sentir, mas não tão bem a verbalizar.

O dia das mães está próximo e mais uma vez não estarei lá fisicamente, mas aproveito para dizer o quanto essa palavra representa para mim. Em minha vida a palavra mãe representa uma das mulheres mais fortes que conheci. O oposto do estereótipo da mãe contemporânea: permissiva, despreocupada, amiga, jovem etc etc etc. (assistam a palestra para compreender a crítica de Julio Groppa, eu não seria capaz de explicar melhor).

Minha mãe é mais que isso: ela é mãe. Nunca conheci uma mãe mais mãe do que a minha. E não na idéia errônea ou preconceituosa que as vezes tem referência. Mãe política no sentido de querer e se esforçar para povoar o mundo com seres melhores.

Papai e mamãe, meu muito obrigada.

A família no fogo cruzado da educação contemporânea – Julio Groppa Aquino