Um dos mundos de Dani ou O mais novo mundo de Dani

Começo a escrever este novo post e ainda não sei ao certo qual caminho ele seguirá. As idéias ainda pululam em meus neurônios de maneira desordenada.
Acabo de voltar do feriado de Páscoa com a familia do meu “namorido” em um vilarejo tipicamente francês. O que isso significa? E exatamente isso o que eu tentarei explicar, ainda que de maneira superficial.

Gare d’Orléans

Antes de partir para uma viagem sempre estou super excitada e um pouco estressada: será que vou me divertir?; quantas belas coisas verei?; irei conhecer pessoas interessantes? etc etc etc

Dessa vez ainda tinha a familia e os amigos de infancia do Damien para conhecer e uma vontadizinha de estar dentro daquele trem para encontrar minha familia e meus amigos.
Passado o estresse inicial tive um final de semana prolongado muito agradável, campestre e gastronômico que me deixa ainda sem saber ao certo como descrevê-lo.

Sendo assim, vou descrever uma das experiências interessantes que tive por lá: mais de quatro horas para fazer uma refeição.
Isso foi algo que me surpreendeu. Sentamos à mesa no jardim da casa do pai de meu “namorido” por volta de meio dia e meia. Ao chegar à mesa fomos servidos com o aperitivo inclui bebidas : kir, (vinho branco com creme de frutas, geralmente de cassis), Whisky, rum entre outras, e comidinhas como canapés, salgadinhos. Salgadinhos que mesmo as crianças podem comer antes do almoço e do jantar, ouviu mamãe?.  Claro que eu não tinha ideia do que estava por vir e como estava morta de fome me servi generosamente.
Passado mais de uma hora entramos para a sala de jantar onde almoçaríamos uma salada diferente a base de trigo, além de aspargos, tomates e pão: ahãn descobri porque as francesas são magras, logo pensei :  Interessante, eles são super saudáveis!
Fim da refeição, ok poderia comer um pouquinho mais… um pouquinho!

Mas o que eu pensava ser o almoço era apenas a entrada, teria não apenas um pouquinho mais, mas sim um barbecue (churrasco francês, normalmente sem carne de boi). Tudo bem! Eu adoro churrasco mesmo que seja de frango e de linguiça de carneiro (argh). Tudo muito bom, acompanhado de vinho francês. Exatamente, churrasco com vinho e um tipo ou cor diferente para cada etapa da refeição.
Já quase dormindo e explodindo com os efeitos do álcool e de tanta comida eu estava, digamos, um pouco aliviada ao final da maratona gastronômica. Iríamos “apenas” comer o bolo que compramos para o aniversário de Damien e voila.
Junto com meu pensando, seu pai entra na sala novamente e meus neurônios entraram em colapso: o que ele está fazendo com esses queijos? cadê o bolo? Para os que não sabem, franceses adoram queijo e comem entre a refeição e a sobremesa. Eu que também adoro queijo e que não queria fazer feio no primeiro almoço em família me servi de um pequeno pedaço e comecei a degustá-lo quando… ela come queijo puro, sem pão? Sorri e peguei também um pedaço de pão.

Devo confessar que comer o bolo de aniversário, em seguida, foi uma tortura… Quando acabamos o cafezinho, Damien me previniu (ja era mais de cinco da tarde) que deveriamos nos arrumar para ir à festa de um de seus amigos que já estava prevista: um jantar.

Chegamos na festa por volta das 19 horas e lá estava o aperitivo : um pouco de bebida? canapé de fois gras? (ahhhhhhhh tira essa gordura de pato daqui)!!!

Comecei a me questionar quantos pratos teríamos nesse tal jantar e dosei bem o que bebia e o que comia. Quando chegou o primeiro prato que era algo comparado a uma feijoada: quatro tipo de carnes como um ensopado, legumes, semola…

Cuscuz“Damien, essa é a entrada?” – Ah… nao, será apenas um prato. “Ufff”.
Como ele sabe? Quando ele vê o primeiro prato ele descobre quantas fases terá a refeição. Em seguida, torta de sobremesa. Dessa vez foi fácil!
Depois de umas cinco refeições durante todo o feriado acho que aprendi: sempre perguntar disfarçadamente o que virá. Isso é claro se eu quiser conseguir sair da mesa ou não ter que fazer uma sesta.

Descobertas gastronômicas a parte,  acho que precisarei de um pouco mais de reflexão introspectiva para racionalizar a sensação de conhecer os vilarejos de mil habitantes onde meu marido cresceu e viveu até sua juventude. Para aqueles que moram na Grande São Paulo, acho que não preciso explicar o quanto isso é inimaginável.

Como será viver em um lugar com tão poucas pessoas, mas que tem castelos ao redor? Uma Igreja que parece que saiu de um filme medieval? Onde as pessoas são simples, as vezes tem empregos humildes, mas mesmo assim podem viver suas vidas de maneira decente? Como enquadrar aquelas pessoas tão amáveis dentro do esteriotipo do francês arrogante? Como enquadrar a idéia de que os franceses são xenófobos, racistas em pessoas que me acolheram de uma maneira tão acalorada e sem preconceitos ou discriminações? Mas se eu fizesse parte do Magreb? Ou se tivesse a pele mais escura? Me aceitariam?
Bom… isso eu nao posso saber e será sujeito de discussão futura. O que sei é que meu mundo se torna cada vez maior, maior e maior e mais surpreendente.

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Mamãe e papai, obrigada!

Todos sabem que tenho vivido em um momento de ócio: encontro-me “exilada” em terras estranhas.

Na tentativa de torná-lo mais produtivo, tenho buscado atividades que nunca tivera tempo ou oportunidade de fazê-las. Uma delas é passar horas em frente ao computador procurando palestras, livros (algo que sempre odiei: ler através dessa máquina), filmes, músicas etc. Essa experiência tem sido muito prazerosa e enriquecedora: passo horas dos meus dias com psicólogos, filósofos, professores.

Alguns dias atrás assisti uma palestra de um ex-professor da faculdade: Julio Groppa, na qual ele discursa sobre a situação da família contemporânea. Evidentemente, não pude deixar de achar geniais suas provocações. Fiquei extasiada com sua fala como nos tempos da minha licenciatura.

Tantas reflexões e provocações embriagadoras. No entanto, foi quando disse que não teve tempo de agradecer a seus pais pelo o que lhe representaram em vida foi quando sua palestra me tocou particularmente, já que estou a quilômetros de distância dos meus. Deixando bem claro que seus pais não eram perfeitos, gostaria de agradecer, simplesmente, pelo o que eles puderam fazer.

Também não tenho pais perfeitos, também estou longe de ser perfeita. Mas o que sou hoje depende muito da forma como me criaram acertando ou errando. Se vier a ter filhos também vou cometer erros e acertos, mas gostaria muito de ser capaz de colocar meus filhos a frente de mim como muitas vezes fizeram por mim.

Não preciso esperar que eles não estejam mais aqui para refletir sobre o que representam na minha vida e nem para agradecer o que fizeram. Se não fizeram mais, talvez seja porque fizeram o máximo que puderam. E eu os agradeço com todo o amor que me ensinaram a sentir, mas não tão bem a verbalizar.

O dia das mães está próximo e mais uma vez não estarei lá fisicamente, mas aproveito para dizer o quanto essa palavra representa para mim. Em minha vida a palavra mãe representa uma das mulheres mais fortes que conheci. O oposto do estereótipo da mãe contemporânea: permissiva, despreocupada, amiga, jovem etc etc etc. (assistam a palestra para compreender a crítica de Julio Groppa, eu não seria capaz de explicar melhor).

Minha mãe é mais que isso: ela é mãe. Nunca conheci uma mãe mais mãe do que a minha. E não na idéia errônea ou preconceituosa que as vezes tem referência. Mãe política no sentido de querer e se esforçar para povoar o mundo com seres melhores.

Papai e mamãe, meu muito obrigada.

A família no fogo cruzado da educação contemporânea – Julio Groppa Aquino

Por que criar um blog?

Adoro perguntas… E adoro respostas. Mas do que mais gosto é do momento que se passa entre uma e outra. Quantas coisas podem se passar em frações de segundos antes de obter uma ou outra.

Aos 17 anos me sentia incapaz de escrever, em algum momento houve um bloqueio dentro de mim que me impedia de me expressar através da palavra escrita. Em um outro momento, aos 12 anos de idade, ganhei um concurso de melhor redação na escola e até hoje procuro aquela garota que podia usar sua criatividade para escrever um pequeno conto, meio fantástico.

Onde estará ela? Apenas perdida no meu nome?

Decidi deixar de ser ela pra me tornar Dani. Por quê?

Talvez porque, arrogantemente, hoje me ache capaz de procurá-la dentro de mim. Ou talvez porque alguém me deu o incentivo e a coragem de me expor a críticas ou ao anonimato de escrever apenas para mim mesma:

(Alguém) “Você pensa demais deveria escrever”

(Eu) …

(Alguém) “Como não sabe? Ja tentou?”

(Eu) Não, eu nunca tentei! Eu nunca mais tentei!

Por que temos tanto medo de errar? De fazer algo que achamos que não somos capazes? Por que não ousar pra de repente descobrir novos talentos (ou não), mas ao menos buscar novas experiências?

Eu não sei. Ainda estou nas reticências, procurando respostas para tantas questões. Mas essa resposta eu obtive: por que não?